“Varre, varre vassourinha.
Varre, varre a bandalheira.
O povo já tá cansado de sofrer dessa maneira.
Jânio Quadros a esperança desse povo abandonado.”
Você encontra esse jingle AQUI.
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Agora todo domingo eu vou escrever algo sobre a história política do Brasil.
Como estamos em campanha eleitoral, decidi começar com Jânio Quadros que foi uma campanha histórica e ao mesmo tempo trágica.
Temos outros políticos interessantes que abordaremos nos próximos domingos.
Porque eu digo: histórica e trágica?
Jânio Quadros conseguiu fazer uma campanha vitoriosa usando esse jingle, que na minha opinião um dos mais bem bolados, ele distribuía vassouras em miniatura para seus eleitores.
Era uma promessa de um Brasil diferente, propondo a modificação de fórmulas antiquadas com abertura de novos horizontes. Um país em plena democracia.
Um mestre inato na arte da comunicação, ganhou as eleições de 1960 com 5,6 milhões de votos, por mais de 2 milhões a mais do que o Marechal Henrique Lott – maior votação até então jamais obtida no Brasil.
Um homem sem posses, sem padrinhos políticos, nada simpático, nem bonito, não fazia parte de nenhum clã e nem era rendido aos EUA ou a Rússia. Quem era ele então?
Hélio Silva tenta explicar em seu livro “A Renúncia”:
Jânio trazia em si e em sua mensagem, algo que tinha que se realizar. E que excedia, até mesmo execedeu, sua capacidade de realização … Todo um conjunto de valores e uma conjugação de interesses somavam-se em suas iniciativas e aliavam-se, nas resistências que encontrou.
Em 25 de agosto de 1961, após sete meses como presidente, para o espanto da nação Jânio declara em rede nacional que está renunciando. Um homem que rompera paradigmas, desistabilizara as cúpulas partidárias, renuncia.
O Repórter Esso, programa de rádio popular na época, atribuiu a “Forças Ocultas”, frase que Jânio nunca pronunciara e não gostava de comentar.
Sua carta renúncia:
- “Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.
- Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.
- Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranqüilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.
- Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia.
- Saio com um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade. O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.
- Somente assim seremos dignos deste país e do mundo. Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.”
- Brasília, 25 de agosto de 1961.
- Jânio Quadros”
Por outro lado especula-se que Jânio estaria certo de que surgiriam fortes manifestações populares contra sua renúncia, com o povo clamando nas ruas por sua volta ao poder – como ocorreu com Charles de Gaulle. Por isso Jânio permaneceu por horas aguardando dentro do avião que o levaria de Brasília a São Paulo.
Tudo indica, entretanto, que algum tipo arranjo foi feito, nos bastidores da política, para impedir que a população soubesse em que local Jânio se encontrava nos momentos mais cruciais – imediatamente após a divulgação de sua carta de renúncia.
É uma página da história um tanto obscura, quem sabe um dia algum documento seja liberado, e nele contenha a real renúncia de Jânio, sem lindas palavras.
Alguns vêem Jânio como um covarde, outros dizem que ele foi esperto.
Particularmente, devido a todo contexto histórico da época, acredito sim nas tal aclamadas “Forças Ocultas”.
As mesmas forças do golpe de 64 a Jango, que é outro capítulo que me enche de paixão, eu que sou apaixonada por João Goulart - JANGO! Vamos deixar para próxima semana.
