A coordenadora do Núcleo de Pesquisa dos Jovens da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Miriam Paúra, observa no decorrer das últimas duas décadas o crescente desinteresse dos jovens pelo voto, em relação às gerações anteriores. Ela lembra que os jovens estiveram no front da luta contra a ditadura, nos anos 60 e 70, na conquista das “Diretas Já”, nos 80, e até mesmo representados pelos cara-pintadas, no início dos 90, ainda que o derradeiro movimento juvenil tenha sido compelido mais pela balbúrdia que pela conscientização política dos participantes.
“Não há mais uma participação efetiva. Os diretórios das universidades viraram centros político-partidários e de atividades de lazer, onde o interesse não é mais a formação da cidadania”, critica Miriam.
Além de mais empenho dos educadores no resgate do interesse dos jovens pela política, a professora sugere aos candidatos que promovam mais reuniões com esse segmento do eleitorado.
Confira a íntegra AQUI
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Eu quando fiz 16 anos a primeira coisa que eu quis fazer foi meu título de eleitor, passara anos e anos analisando os candidatos, escolhendo meus candidatos, mas não podia votar.
Quando votei pela primeira vez foi muita emoção participar do processo democrático do Brasil.
Tudo bem que de um lado ouvimos que as eleições são manipuladas, que há uma base de dados que você pode saber quantos votaram em você por região (e com o título de eleitor), e outras explicações de como o roubo é feito. Mas existe o outro lado que diz ser totalmente sigiloso, que não há como saber quem votou em quem, tanto que o TSE junto com a Associação dos Magistrados do Brasil elaborou uma cartilha ao eleitor, e vem tentando mostrar que é um processo limpo.
Independente do que seja, eu como mais uma eleitora, não tenho como saber quais das duas (três, quatro, cinco, seis…) versões é a certa. Mas eu vou valer meu voto, votando no meu candidato a prefeito e vereador, de forma consciente e clara.
Quando paramos para ler sobre a história do Brasil, quando vemos que uma pessoa que professe a fé cristã na China e é descoberta vai para uma prisão de reeducação, quando vemos atletas cubanos tentando fugir e ficar no Brasil(pan 2007), quando você assiste o filme Caçador de Pipas que o menino curdo foi estrupado pelo xiita, quando você vê delegados envolvidos em pedofilía no Brasil, quando vemos toda a repressão no mundo e muitas vezes calando a voz de pessoas das formas mais desumanas; quando eu vejo tudo isso e muitos mais, e olho pra mim, que tenho liberdade de expressão (tudo bem que as vezes tem uns defeitos), que tenho liberdade de voto, que posso exercer minha cidadania e que hoje eu posso escolher, me intristeço com os que não querem exercer seu direito.
Sinto muito pelos jovens de hoje que estão sem idealismo, preocupados com a próxima micareta ou rave, e ficam a margem de todo esse processo democrático. Esquecem do poder que eles tem nas suas próprias vidas, em suas vozes.