Gabeira e Jandira


1. Os problemas enfrentados pelas candidaturas de Gabeira e Jandira são de difícil equacionamento, se não, de improvável superação. Gabeira está sendo “cristianizado” (termo derivado do abandono da candidatura a presidente de Cristiano, pelo PSD, em 1950). Em primeiro lugar pela mídia que recepcionou entusiasticamente a sua candidatura, com fotos, páginas, imagens e entrevistas, e quando a campanha passou a ser para valer o abandonou na beira da estrada, com cobertura rala, ou matérias negativas.

2. Em segundo lugar pelo eleitor que o imaginou -de início- como candidato da “favelofobia” adotada por parte da imprensa. Finalmente por seus vereadores. As pesquisas para vereador disponíveis -acumuladas desde a última semana de julho- mostram um cruzamento adequado para os principais candidatos, ou seja, que repetem mais ou menos suas intenções de voto. A própria soma dos vereadores dos três partidos que lhe dão base, repetem seu patamar. Mas no caso das intenções de voto no Gabeira cruzadas com a marcação nos vereadores de sua base, estas lhe jogam para apenas 1,5%. Ou seja: traição generalizada.

3. Jandira vem descendo a ladeira paulatinamente, desde a metade de julho. Com a entrada da TV, a memória de seu nome (candidata majoritária em 2004 e 2006) e a força de seu tema (Saúde), esperava-se uma recuperação para seu nível de intenção de votos de partida. Mas nada mudou e a tendência de queda gradativa se manteve. E mais grave: ela deu dois sinais que sentiu o golpe.

4. Em primeiro lugar, o site de seu partido entrou na propaganda negativa contra outro candidato, quando isso não deve ser feito em sites partidários, mas em sites ou blogs pessoais ou em redes. Em segundo lugar quando açodadamente chamou ao voto útil. Antes mesmo de o eleitor iniciar o processo de transição da intenção de voto para a decisão de voto, o que só ocorre a partir da segunda quinzena de setembro.

5. A chamada ao voto útil é instrumento importante, mas no momento certo quando o eleitor tem a visão geral das alternativas e percebe que votar em um candidato inviável pode ser ajudar o candidato que não quer que ganhe. Isso só pode se dar nos últimos 15 dias de campanha, se não num período ainda menor. Estes dois sinais mostram desespero precoce. Mas deixam claro que sua candidatura procura uma bóia, para, pelo menos sobreviver ao naufrágio.

6. São sinais de quem em breve o eleitor poderá descobrir a ambos fora do campeonato. Mas há tempo para que redefinam estratégias, público alvo… dêem adeus as ilusões e comecem de novo, apontando a mira da arma para a direção certa. Para evitar o pior.

Fonte: Ex-blog do César Maia

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